Lançamos com alegria o livro “Regenera – Os desafios da regeneração e a Carta da Terra” escrito por Rose Marie Inojosa
Publicação que faz parte da Cátedra UNESCO em de Educação para o Desenvolvimento Sustentável com a Carta da Terra e tem a chancela do Centro Carta da Terra de Educação para o Desenvolvimento Sustentável na Universidade para a Paz.
Neste livro a autora faz uma reflexão inspiradora sobre a ideia e importância da “regeneração” através das lentes da Carta da Terra e a necesidade de tornar este conceito mais amplamente conhecido.
Convidamos para a apresentação do livro e um diálogo com a autora.
Quarta-Feira – 3 de agosto 2022 as 19 horas horário SP, Brasil
Texto extraído da apresentação do livro:
O processo de regeneração só será efetivo se realizado de forma sistêmica, olhando inclusivamente para a própria sociedade humana, fonte e lago das atribulações. As questões são sempre socioambientais, o que implica tratar, integradamente, as dimensões da ecologia, da justiça social e econômica, da democracia e das condições de convivência.
É dessa ação integrada que se ocupa o Regenera: os desafios da regeneração e a Carta da Terra, buscando compartilhar reflexões e experiências sobre diferentes aspectos dos desafios que precisamos enfrentar.
No primeiro capítulo, “A vida em metamorfose e a regeneração”, à guisa de introduzir a reflexão sobre regeneração e seus desafios, passamos pelos conceitos de metamorfose própria da dinâmica da vida no planeta, a sustentabilidade e a cultura degenerativa e sua visão de mundo, que produz a crise planetária.
“O desafio da integridade ecológica”, o segundo capítulo, trata do desafio da regeneração da integridade ecológica, iniciando pela potência da ação antrópica em relação à autossustentação e à resiliência dos viventes e componentes da biosfera. Trabalha a visão conceitual da restauração ecológica como processo e como compromisso, comentando casos e tratando da agroecologia como um processo de restauração integrado. Aborda as necessárias parcerias e articulações para a restauração ecológica, finalizando com o conjunto de orientações da Carta da Terra para a integridade ecológica.
O capítulo “O desafio da justiça social e econômica” é dedicado à regeneração face à justiça social e econômica. Ele inicia pela questão do crescimento e salienta que na natureza não existe crescimento infinito. Reflete ainda sobre a que interesses atende a situação de progressiva degradação das condições que mantêm a vida e sobre a vida para consumo, que se tornou o paradigma hegemônico na sociedade contemporânea. Trata da relação entre regeneração e justiça climática, a economia regenerativa e suas práticas, a economia de Francisco, a economia circular, e o bem viver. Encerram o capítulo as orientações da Carta da Terra sobre justiça social e econômica.
“O desafio da convivência democrática e pacífica”, por sua vez, aborda o desafio da regeneração das condições de convivência, democracia e paz, imprescindíveis para a ação regenerativa integrada. O capítulo começa refletindo sobre a relação entre a democracia e a paz, bem como sobre a fragilização progressiva da democracia no mundo. Em seguida, trata de estratégias para a regeneração da convivência pacífica e democrática, centrando-se na relação entre democracia, alimentação e agroecologia, solidariedade social e dimensões da ação voluntária. A reflexão sobre a educação, chave para a convivência pacífica e regenerativa, é seguida pelas orientações da Carta da Terra para a democracia, a não violência e a paz.
O último capítulo, “Janela estreita e comunidades em regeneração”, versa sobre a complexidade e a transformação na regeneração de comunidades, retomando a urgência da ação e buscando visualizar a situação da pauta socioambiental nos países, além do movimento pelos direitos da natureza. Mostra, então, a relação entre regeneração e biorregionalismo, e o processo de comunidades em regeneração, que podem, elas mesmas, tornar-se comunidades regenerativas, assumindo o movimento de autossustentação que caracteriza a vida. A necessidade de mobilização para a ação coletiva transformadora, baseada no compartilhamento de propósitos e sentidos, com as orientações da Carta da Terra sobre o respeito a comunidade da vida, complementam o capítulo. Entrego aos leitores estas singelas reflexões, com esperança de contribuir para que possamos transformar consciência em ação coletiva, assumindo nosso papel, inelutável, de ancestrais do futuro.
Rose Marie Inojosa
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Rose Marie Inojosa é Advisor e professora no Centro Internacional Carta da Terra de Educação para o Desenvolvimento Sustentável, com sede na Universidade para a Paz, na Costa Rica. Conselheira e ex-Diretora da Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz (UMAPAZ) da prefeitura do município de São Paulo, de 2006 a 2012 e em 2017. Conselheira da Associação Saúde da Família. Coordenadora e facilitadora do Programa Carta da Terra em Ação, UMAPAZ, de 2009 a 2012 (dez turmas).

