International, Brazil, Portugal

28 – 28 April, 2022

A Amazônia está próxima do ponto de não retorno. O que fazer? – com Carlos Nobre

Ementa 

A Amazônia está muito próxima de um ponto de não retorno de “savannização” de mais de 50% da floresta causada pela interação sinérgica das mudanças climáticas devido ao aquecimento global com desmatamentos, degradação florestal e crescente vulnerabilidade da floresta tropical ao fogo. Reduzir o risco de perder grande parte da floresta tropical e de sua biodiversidade requer zerar imediatamente o desmatamento, a degradação e os incêndios no sul da Amazônia — as áreas mais próximas dos pontos de não retorno que já apresentam duração mais longa da estação seca, aumento das espécies de árvores do clima úmido e se tornaram fonte de carbono — e chegar a zero desmatamento e degradação florestal em toda a Amazônia antes de 2030. Além disso, para evitar o risco do ponto de não retorno, há que se restaurar a floresta em grandes extensões, principalmente no sul da região.  

É igualmente urgente criar e implementar uma nova bioeconomia da floresta em pé e rios fluindo, valorizando através da agregação de valor a riqueza potencial dos produtos florestais e da imensa biodiversidade Amazônica, combinando ciência baseada na natureza, inovações tecnológicas com conhecimento tradicional dos povos indígenas e comunidades locais. Essa é a ideia-chave do projeto Amazônia 4.0 que busca demonstrar a viabilidade dessa nova bioeconomia por meio da bioindustrialização de produtos da floresta em comunidades rurais e urbanas da Amazônia. 

Carlos Nobre

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Graduado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e doutorado em Meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology. Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia- INPA (1975-1981) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE (1983-2012). Exerceu funções de gestão e coordenação científicas e de política científica: Presidente da CAPES; Diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – CEMADEN; Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação; Chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST-INPE) e Coordenador Geral do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC-INPE). Participou de vários relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Em particular, foi um dos autores do Quarto Relatório de Avaliação do IPCC, agraciado com o Prêmio Nobel da Paz (2007). É co-presidente do Painel Científico para a Amazônia (www.theamazonwewant.org) e diretor geral do Projeto Amazônia 4.0 (https://amazonia4.org/). É membro da Academia Brasileira de Ciência, da World Academy of Sciences e membro-estrangeiro da National Academy of Sciences dos EUA.

Mais informação: [email protected]